O que você está fazendo?
— Estou escrevendo. — Escrevendo o que?
Tá aí, ninguém nunca me fez essa pergunta. Não é um poema, pois não respeita regras. Não é poesia, pois não rima. Não é uma crônica, pois não tem uma conclusão. Não é literatura, pois é real. Não é ciência, pois não pode ser experimentado ou refutado. Não é religião, embora você passe a crer quando vive. É apenas um grito silencioso da minha alma que sangra letras numa página branca que logo se escurece de incontáveis caracteres. Caracteres em códigos que escondem uma verdade, que escondem um sentimento. Não são caracteres para alfabetizados, são caracteres para vivos, para apaixonados, para emocionados, para humanos que vivem sua humanidade com tal brutalidade que seus espíritos rasgam sua carne todos os dias quando acordam. Para esses escrevo, para que saibam que eu existo. Não estamos sós.
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