Anos 30
Foi a noite que mais sonhei no ano
Acordei em diferentes momentos
Levantei já era bem tarde
Desânimo característico agravado
Outra passagem solitária, escrevendo
Céu cinza, vento sul, uma fina chuva
O café? Uns biscoitos e água
Silencioso, não há internet pra música
Passei a entender muita coisa ultimamente
Agora sinto ao ponto de quase ver
Há todo tipo de obsessores em volta
Tem gente demais se alimentando aqui
A ignorância é uma bênção
Temo saber de mais
Somar aos problemas pré-existentes
Amanhã acaba, sigo agarrado na crença
Então levo a câmera e maço para um passeio
Conheço bem essas ruas como se morasse aqui
A chuva não vai me segurar
Uma volta no cemitério é a pedida
Do cemitério para o mar
Ah, o mar
Havia semanas que não te via
Necessito de tuas águas
A faina do marinheiro me entretém
Não dura pra sempre
Melhor me secar dessa chuva
Um lanche, mais nada para fazer
Sem trabalho, músicas, filme ou chá
Eu vou surtar!
Como pude sobreviver quase 20 anos assim?
Voltar depois de conhecer a vida real explica
Explica minhas escolhas, minhas diferenças
Explica tudo na minha vida
Acho que não deveria estar escrevendo
Escrever me faz pensar, pensar me faz querer morrer
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