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Escrevo

ismaelifs14
18 de abr. de 2023
2 min de leitura

Não posso dizer que dormi, mas cheguei a sonhar

Me sinto descansado, de verdade

A neblina baixa esconde o céu limpo

A rodovia não para

Câmera na mão, placa de divisa, click

Ora de voltar a rodar


Não demora muito até me ver rodando novamente

Cara simpático voltando de um fretamento com sua van

“Te deixo na rodoviária”

Aceitei, uma ideia boa para o corpo já cansado

No guichê a pergunta: Pra onde?

Pra onde? - Repito a pergunta pra mim mesmo


Sento um pouco, abro o pc

Internet, não é boa, mas dá pra usar

Sigo o mapa com o dedo na tela

Penso um pouco e decido

Volto ao guichê orgulhoso de minha escolha

Mas o próximo embarque é 12h30


Voltei para o meu banco

Tédio com tempo pra descansar

Sem ver o tempo passar me preparo para um passeio

Almoço barato? Tá pra mim

Volto para a rodoviária e ainda há espera

Estou satisfeito e feliz


Embarque tumultuado

Muita gente pra pouco ônibus

No meu lugar escrevo

Linhas de ontem que não registrei

O anel no dedo trás a sua falta

Logo serão apenas histórias


Viagem longa

Não o suficiente para uma parada

Desembarque mais tumultuado

O passageiro ao lado, espaçoso

Ou eu, mas isso não vai virar história

Em pé me vejo novamente


Subo para o guichê

Novo trecho, já sei onde vou

Já sei o horário e até o caminho

Escolho a poltrona, pago, saio

Saio para caminhar nessa cidade

Cidade que tanto amo, que tanto odeio


Panetone, pé de moça, um sorriso

Sento na espera para ouvir umas músicas

O fone ficou no outro ônibus

A raiva não vai me consumir

Dessa vez não

Outro fone virá, disseram os esotéricos


Novo embarque, muito mais organizado

Os panetones foram no porão mesmo

35... 36... 37! Cheguei

Mas esse ônibus é de dois andares

E o 03 estava livre, vista panorâmica

Agora posso ficar com raiva?


Sento, escrevo, me entedio

Porque escrevo?

Porque não posso ser como os outros?

Cerveja, futebol, mulheres

Mulheres não, mulheres eu gosto

Mas eu escrevo, fotografo e viajo


Confundo nomes de cidades

Confundo histórias

Só há o asfalto à minha frente

Decoro nomes de rodovias, mas

Não sou capaz de reconhecer rostos do caminho

A página em branco torna-se assim minha amiga


Sempre sou o inquieto da viagem

O que caminha pelo corredor muito além de seu assento

O 03 ainda está livre...

Já acomodado me vejo escrevendo

Lá fora chove sem parar

Aqui quem resfria é o ar


Alguns Éons depois a cidade aumenta na janela

Não tenho pressa, minha mochila é a última

E com certeza não perderei outro fone

Chego no apartamento, sono bate forte

- Vamos sair para jantar?

- Claro.


A primeira balada estava meio morta

Na segunda tinha funk

Ninguém desanima com funk

O chopp estava em dobro

Porque parar no segundo?

Posso beber dois e ingerir quatro


Logo o Ismael surge

“Você conhece o Ted?”

Quatro, cinco, seis

- Vamos no karaokê?

- Bora.

O bando aumenta


Continua...

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